Idade Média

Idade Média

* Europa Gótica

Se a Alta Idade Média européia correspondeu a um período associado ao campo, ao feudalismo por excelência, e de poucos recursos econômicos, o momento seguinte, o da Baixa Idade Média, caracterizou-se de maneira diferente. Com o passar do tempo, houve o restabelecimento da economia urbana; o ressurgimento de uma autoridade central; a aplicação de novas técnicas agrícolas desenvolvidas (o que favoreceu o aumento da produção de alimento); o reaparecimento do comércio citadino, ou seja, a revitalização dos centros urbanos por toda Europa, o que acarretou um novo modo ligado ao comércio e à vida cultural. Isso tudo estava associado à solidificação das monarquias européias, além do crescimento do poder da Igreja na autoridade do Papa.

A religião cristã estava em plena efervescência. Em sucessão ao estilo românico, de aspecto pesado, campesino e horizontalizado de fins da Alta Idade Média, surgiu o estilo gótico, imponente, urbano e verticalizado. Assim ocorreu na Europa cristã no momento máximo do teocentrismo. A Igreja sobrepunha-se a tudo, inclusive os próprios monarcas estavam abaixo do Sumo Pontífice na escala social.

No que diz respeito às roupas, além de uma certa unidade visual adquirida pela união dos povos em função das Cruzadas – Convocação de nobres e todo o povo cristão para salvar os lugares santos do Oriente cuja cristandade julgava profanados pelos turcos pagãos -, a ida do europeu ocidental ao Oriente também influenciou a indumentária desse período, passando a existir um certo aspecto de orientalização nas vestimentas européias, como nas monarquias distintas estabelecidas em solo europeu, também começaram a aparecer as peculiaridades entre as diversas cortes européias.

Se as roupas do período anterior pouco ou quase nada marcavam a silhueta dos corpos, sejam femininos ou masculinos, nesse momento elas começam a delinear um pouco mais, especialmente a parte superior dos vestidos femininos que passaram a ter abotoamento lateral.

Muito comum para a moda entre os meados dos séculos XVI e XV, especialmente para os homens, foram os sapatos de bico fino, significando o grau de nobreza. Quanto maior o título do indivíduo, maior era a permissão de usá-los com bicos extremamente pontiagudos.

Assim nota-se, mais uma vez, a preocupação em ostentar riqueza e demonstrar o grau de nobreza ou o status social dos nobres daquela época, exatamente como nos dias atuais em relação às altas classes sociais.

Esse momento do final da Idade Média e princípio do Renascimento foi de extrema importância para a história da indumentária, visto ter sido nessa passagem cronológica que surgiu o conceito de moda. Essa referência vem especialmente da corte de Borgonha (parte atual do território francês), uma vez que os nobres locais se incomodavam com as cópias de suas roupas feitas por uma classe social mais abastada, os burgueses, também denominados de mercantilistas, que surgiram com as Cruzadas.

Inicialmente de cunho religioso, as Cruzadas foram ganhando também o caráter comercial ao estabelecerem o contato com o Oriente e terem acesso a inúmeros artigos que o europeu ocidental desconhecia. Com o retorno à Europa, os cruzados levavam mercadorias diversas, criando o comércio entre o Oriente e o Ocidente. Surgiu então uma nova classe social endinheirada e que tinha condições financeiras para copiar o que a corte usava. Os nobres, não gostando muito dessa idéias, começaram a diferenciar, cada vez mais suas roupas daquelas copiadas, criando assim um ciclo de criação e cópia. Todas as vezes que isso acontecia, idéias diferenciadas, advindas da corte, surgiam e eram colocadas em práticas vestimentárias.

Aí está o conceito de moda numa acepção mais próxima da nossa realidade. Surgiu como um diferenciador social, diferenciados dos sexos (tendo em vista que as roupas masculinas se encurtavam e as femininas permaneceram longas) pelo aspecto de valorização da individualidade e com o caráter de sazonalidade, ou seja, um gosto durava enquanto não era copiado, pois se assim acontecesse, novas propostas suplantariam as então vigentes.

Fonte: História da Moda, uma narrativa - João Braga