Para uma estilista, o sucesso começa na criação do plano de negócios
Eu prefiro as Sapatilhas Moleca mas a história é boa.
Quando a sapatilha Reva, da estilista Tory Burch, ganhou popularidade nos Estados Unidos, no ano passado, ela parecia ser apenas o modismo mais recente a surgir do nada.
As vendas dessa sapatilha de US$ 195, que é fabricada no Brasil e adornada por uma fivela metálica com um logotipo de duas letras "T" uma em cima da outra, ultrapassaram as expectativas dos varejistas, com 250.000 pares vendidos em mais de dez matizes diferentes desde que chegou às prateleiras nos Estados Unidos, em 2006.
Mas o sucesso da Reva não foi um golpe de sorte. Ele nasceu do esforço cuidadosamente planejado de Tory para construir a sua marca. Com um plano de negócios mais alinhado à estratégia da indústria dos produtos embalados do que ao mundo da moda, Tory está redefinindo o modo como as grifes são administradas. Quatro anos depois de fundada, as vendas anuais da empresa são calculadas em US$ 115 milhões.
Tory, uma socialite de Nova York de 41 anos, não tinha experiência como estilista quando lançou a grife com a ajuda do marido, o investidor de capital de risco Christopher Burch, embora ela já tenha trabalhado como relações públicas e publicitária para os estilistas Ralph Lauren, Vera Wang e Narciso Rodriguez. Seu próprio guarda-roupa era formado por uma mistura de roupas de estilistas, modelos clássicos e grifes de massa, e ela percebeu que não havia muitas escolhas disponíveis em moda casual, divertida, que não custasse os olhos da cara.
A maioria dos estilistas iniciantes tenta fazer nome através de criações inovadoras para o elitizado mundo dos vestidos de US$ 2.500, no qual a concorrência é feroz e os gastos com artistas, desfiles e propaganda pesam além da conta. Mas o casal Burch, que está se separando, mas pretende continuar sócio da empresa, queria criar um conceito completo de loja para o segmento de preço mediano conhecido como moda contemporânea. Os vestidos e túnicas de Tory Burch saem por US$

Tory divulga suas coleções aos varejistas em apresentações informais. Embora as modelos vistam as roupas, uma apresentação como essa custa uns US$ 30.000, ante os US$ 250.000 ou mais de um desfile completo.
A abordagem do casal para a sapatilha Reva é um exemplo da estratégia mais ampla empregada por eles para construir a marca. Tory não inventou o sapato. Em vez disso, ela notou a popularidade dos modelos semelhantes de US$ 300 lançados por estilistas como Marc Jacobs. Mas, em vez de bater de frente com eles, ela e o marido tentaram produzir um sapato com apelo altamente comercial e preço baixo.
Eles criaram uma sociedade com Vince Camuto, um dos fundadores da fabricante e varejista de sapatos Nine West, que por sua vez recorreu a seus fornecedores brasileiros para fabricar um sapato de alta qualidade e preço bom. Seu diretor de criação ajudou a projetar um sapato que fosse fino e baixo, mas tivesse um contraforte sólido para fornecer apoio e um solado de borracha flexível, para o conforto. O elástico no calcanhar deveria permitir que ele fosse calçado de modo confortável, mas sem ficar folgado.
"Nós queríamos um calçado prático, uma sapatilha sensual com o nosso logotipo - que sabíamos que iria vender", diz Burch, que chamou o modelo de Reva em homenagem a sua mãe.
Diferentemente de várias grifes, o casal Burch não licenciou o negócio. "Nós não acreditamos em licenciamento porque acreditamos que devemos ter o controle da marca", diz Christopher, o sócio de Tory.
As vendas do primeiro ano foram de US$ 2 milhões. O casal teve lucro já no segundo ano.
Fonte: Teri Agins, The Wall Street Journal - 07/02/2008

Postado por Julia Salgueiro.

